um Souvenir de 2025
para agradecer!
Olá Olá
2025 começou com o primeiro single de “Um gelado antes do fim do mundo”, que acabou por ocupar todo o ano de forma indelével. Lançamentos, vídeos, concertos, encontros e até cartazes de manifes, foi um ano inteirinho a partilhar o disco e a celebrá-lo nos palcos! Obrigada por estarem sempre por perto!
Ora, neste fim de ano, para fechar com um geladinho, decidi partilhar o último vídeo do incrível conjunto que André Tentúgal criou para este álbum - vídeos para publicar e projetar no palco, mas sobretudo para concretizar em imagem a força das palavras. E se o primeiro (“Making teenage Ana Proud”) saiu logo em Janeiro, achei que o último cabia bem em Dezembro, para assinalar o fecho deste ano dedicado ao meu “Gelado”.
“Souvenir” tem a participação vocal e em vídeo das Sopa de Pedra, esse incrível grupo de mulheres talentosas que, com a força ancestral das suas vozes unidas, é capaz de nos revirar as emoções. O seu contributo na construção deste tema é inestimável e a sua entrega neste vídeo é poderosa!
O tema, como já devem saber, fala sobre as cidades sem memória, descaracterizadas pela disneyficação em curso e é um lembrete de que o direito à cidade, passando obviamente pelo direito à habitação, passa também pelo intrincado tecido de relações, rotinas, percursos, paisagens sonoras, identidades e memórias que fazem da urbe muito mais do que um conjunto de edifícios. Sendo importante defender essa complexa trama que compõe a cidade intangível, temos de estar mais combativos para travar a sua erosão e substituição por um cenário sem vida, para inglês ver, em que ninguém habita e só quem tem muito dinheiro pode usufruir.
Se não fosse a memória o que seria da cidade?
O acumular de sedimentos
A amálgama de sons, de corpos, de quotidianos
A sobreposição de camadas de tinta
A sucessão de desgastes e de restauros
É tudo feito da pura substância do tempo
Sem passado, nada sobra na cidade
Apesar de nos venderem que a cidade é futuro, não é
Quando a cidade perde a memória, caímos todos ao chão
É a orfandade
Passamos a vultos, sem rumo, nem propósito, almas penadas
Nas cidades sem memória, não podemos encostar os ouvidos às paredes
Porque tudo é de cartão, como num cenário
Nas cidades sem memória, é a cidade que se abandona
Está tudo ao serviço, mas ninguém cuida ou é cuidado
Ficamos todos, cada um por si, a ecoar no vácuo, propagando o inaudível
E nem as lendas rezarão por nós, porque as lendas também são memória
As cidades sem memória, não têm costuras
É tudo colado a cuspe
Até porque a memória é como um fio e sem um fio nada se cose
Espero que gostem e que partilhem pelos vizinhos!
=)
Um abraço e um bom 2026!
Que possamos encontrar-nos muitas vezes por aí!
Ana


Um dos meus álbuns de 2025! Obrigada!
Obrigada nós por este albúm fabuloso e por estas palavras tão certeiras e directas ao ponto. Vou ao Porto e começo a não gostar de o ver…. Abraco e bom ano!